quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sonhos assim...


O coração palpita desregulado,
bate, rebate e volta a bater,
parece esperar por algo,
esperança ambulante, doce, encerada.

Os meus olhos brilham alternadamente,
o meu sorriso vai e volta, 
desvanece e mais tarde, regressa,
como se pelo meio algo o atormentasse.

Soberano sentimento,
irrevogável pensamento,
inconsciente delírio,
soberba perdição.

Tentação subtraída de fraqueza,
desejo ardente, revolta incerta,
tormento esguio que me aborrece.

Misto revolto de sensações,
quimera branca que reluz,
pássaro que sobrevoa,
maré que avança e recua.

Incontrolável loucura,
divina doçura,
escombros, refúgios interditos,
memórias futuras, instintos.

Assim sonhei,
Num sonho inesperado,
sonhado acordado,
daqueles que mexe connosco,
e nos deixa descontrolados...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

(In)Certezas


Sei de ti, ou talvez não,
Onde estás, O que fazes,
O que és, Como és,
Nada sei!


O que sentes, O que procuras,
O que achas, O que te magoa,
É vago…

Queria descobrir-te,
Como? Não sei…
 O que penso? Em ti.

Imensidão, Saudade,
Amor, esperança,
Ilusão…

Devagar retomo,
Realidade cruel,
Que não queria sentir,
Resta-me observar-te,
Amar-te à distância
E sentir-te no olhar…

O que sinto por ti,
O que és para mim,
É agora uma interrogação,
Mas,
Sei que és especial e,
Que sem ti, nada sou!



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Encontro com o escritor Pedro Seromenho

Aqui ficam as fotos de uma manhã muito bem passada com o escritor Pedro Seromenho =)

(Foto Casa Da Cultura de Coimbra)



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Queridos visitantes, passei por cá apenas para vos dar as boas-noites e dizer que muito em breve actualizarei de novo o blogue, hoje, isso irá completamente impossível... Amanhã tenho um "encontro" com o escritor Pedro Seromenho, em Coimbra e terei de preparar uma pequena apresentação. Na Quarta irei apresentar um trabalho de História sobre Leonardo da Vinci (um grande génio, diga-se) e na Quinta, tenho teste de Matemática... :P
Logo que possa, dou notícias. Até lá... fiquem bem =)

domingo, 12 de fevereiro de 2012



12.02.2012 a 18.02.2012


"Hoje você consegue um sorriso, amanhã alcançará a felicidade na plenitude!"

Eis mais uma frase da semana, esta também da minha total autoria. Lembrei-me dela para colocar na descrição de uma foto minha no facebook e quando fui a ver o verdadeiro significado desta frase é maior do que o que eu julgava. 
Já ouviram falar no velho ditado que diz "grão a grão enche a galinha o papo"?! Pois bem, este está de todo presente nesta frase. Ela pretende transmitir que a felicidade é um caminho que devemos percorrer devagar, pois só assim poderemos aproveitar todos os momentos bons que a vida nos proporciona. O caminho para a felicidade é longo, mas acima de tudo é feito de metas e desafios e pouco a pouco, através de pequenas vitórias e sorrisos caminhamos para a nossa felicidade. Porém, devemos aprender a gerir a nossa ambição e perceber que tudo tem um tempo certo para acontecer, não podemos querer passar por cima de coisas importantes e afastar as outras pessoas só porque a partir de agora decidimos que queremos ser felizes. Acima de tudo é preciso saber ter conta e medida nos nossos actos e agir com a consciência que tudo na vida tem consequências. Não é meu encargo dar lições de moral e muito menos fazer papel de quem já sabe tudo e já aprendeu tudo o que a vida lhe podia ensinar... parar é morrer e a partir do momento em que nos damos como ensinados e detentores de todo o saber, morremos por dentro e não tarda até o corpo desfalecer também, por isso, caminhem para a vossa felicidade e acreditem que ela há-de chegar, mas não se esqueçam de aproveitar também os sorrisos que vos vão sendo proporcionados, pois eles já são um indicio de felicidade. 
Mais uma vez digo, sejam felizes :)

(Frase da Semana actualizada igualmente no separador "Frase da semana")

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Histórias & Contos de Fadas

Hoje sonhei que ia fazer de ti passado, que ia apagar as tuas lembranças e seguir em frente. Sonhei com um futuro encantado com príncipes e princesas e, para meu espanto, tu não estavas lá. Havia conhecido alguém diferente, não digo que fosse melhor do que tu, mas era alguém que sentia por mim algo equivalente ao meu sentir. Num gesto de ternura, essa pessoa embalou-me nos braços e sussurrou-me no ouvido um poema de amor como eu já não ouvia alguém declamar há muito tempo. Perdi-me na doçura daquelas palavras, deslumbrada com toda aquela dança encantada que me deixava estupefacta. Vi nele a magia de um ser perfeito e doce, que me fazia sentir segura e acreditar que era possível ser feliz, que era possível amar e ser correspondida, mas que a pessoa certa nem sempre chega tão depressa como desejamos. Olhei-lhe nos olhos e senti transparência, senti um clima aconchegado que me suscitava prazer e confiança. Quis explorar mais, conhecer todos os vértices deste prisma recheado de surpresas, mas, na altura em que me preparava para entrar num mundo ainda mais belo, o mundo da perfeição e do perpétuo, que eu achava poder viver ao lado dele, o sonho acabou e os meus olhos voltaram à abrir-se perante a luz do dia. Percebi que não existem pessoas perfeitas mas sim pessoas que nos fazem viver momentos perfeitos. Tive noção de que o "perpétuo" é uma palavra demasiadamente forte para se utilizar de forma tão leviana e que o amor deve fazer parte de nós como seres que buscam a felicidade e procuram com quem a partilhar, seja através de uma amizade ou de um romance. O encantado só existe nas histórias, ou nos sonhos, mais cedo ou mais tarde acabamos sempre por acordar e perceber que viver nem sempre é um conto de fadas, mas, quer seja ou não um conto de fadas, merece ser vivida e encarada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Por vezes...

Por vezes tudo parece complexo, sem razão de ser, ou simplesmente complicado demais... deixar-mo-nos cair não é a melhor solução nem tão pouco a mais fácil. Acabamos por desperdiçar oportunidades, e se elas são raras, tornam-se ainda mais remotas. Cada vez mais acredito na força de vontade e no poder que ela tem sobre o nosso corpo e sobre a nossa alma. Educar a cabeça pode tornar-se uma tarefa bem mais fácil do que educar o coração porque, por mais que nos enganemos ou nos tentemos enganar, nada passa de um oculto que, mais tarde ou mais cedo irá revelar-se. Seguir os nossos sonhos é ter esperança e força para acreditar que é possível... os sonhos mais belos são aqueles que vemos concretizados e é importante relembrar que eles não se concretizam sozinhos... 


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

(Res)Sentimentos

Não sei o que sinto, talvez o meu sentir esteja abalado por marcas e feridas do passado. Ocupo muito do meu tempo a escrever. Julgo que não é tempo mal empregue, ajuda-me a libertar a alma e a aclarar alguns pensamentos que vagueiam na minha mente e no meu coração. Às vezes chegar a um consenso comigo própria não é fácil. Sou aquele tipo de pessoa que se sabe adaptar às diversas situações, que perdoa mas não esquece, que até pode não dizer tudo na hora mas que, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde, diz o que pensa... Muitos julgam-me ingénua, não sabem eles que por vezes sei um pouco mais do que pensam. Às vezes duvido de mim própria e das minhas capacidades, sou bastante insegura, mas estou a aprender a confiar em mim. Custa-me acreditar em certas coisas, não sou de mitos nem lendas, e medos não é comigo. Desistir não é uma palavra com que me identifique. Considero-me lutadora e sei que quando me foco numa coisa consigo... Neste momento estou um pouco em baixo, erro como todos nós, mas há erros que destroem grandes conquistas... cometi um desses! Estou cansada e farta de lutar por isto e por aquilo, mas não vou desistir e vou reconstruir as peças de novo, no fim haverá todo um novo puzzle. Vou demonstrar  a mim própria que, como sempre achei, tenho uma personalidade bem vincada... quando tenho um objectivo, só por uma razão muito grande é que não o cumpro e, vou provar a mim mesma que sou capaz. Força de vontade não me falta, não vou deixar que me subestimem nem permitir que me façam juízos de valor infundados, vou apenas caminhar para a felicidade e reconstruir o que se desmoronou, no fim, vou ser um novo ser, alguém reconstituído e com uma nova mente, bem mais preparada para as dificuldades que ainda estão para vir... arregaçar  as mangas e lutar, por mim, pela minha felicidade, por aquilo em que acredito e, como acredito que não há impossíveis, não vou deixar que me travem no horizonte. Para isso não preciso de "esmagar" ninguém, não preciso de magoar, excluir nem sequer de me isolar da sociedade, vou apenas adoptar novos métodos, de forma a que quer eu quer os que me rodeiam estejamos bem! Assim, vou ser ainda mais feliz...



"Pedras no caminho, guardo todas... um dia irei construir um castelo!" 




sábado, 4 de fevereiro de 2012



Eis mais um fim-de-semana quase passado, o tempo passa a correr e amanhã já é Domingo, por isso, aproveitem bem o dia! Hoje foi um dia monótono e sem muita agitação, ainda que com muito que fazer. Aproveitei para escrever um pouquinho, eis o resultado:

Não sei onde estás agora,
sinto a tua energia em mim,
estás presente no meu coração,
sinto-te comigo, aqui.

Aprendo a viver sem ti,
estás longe.
Cada dia é diferente,
contigo ausente.

Esperava que voltasses,
mas tal não aconteceu,
quando disso me apercebi,
o meu coração entristeceu.

Ainda choro, ainda grito,
ainda sofro por ti,
a minha alma não esqueceu,
e o meu coração ainda sente o vazio.

Continuas a fascinar-me,
cada dia te descubro,
o silêncio denuncia-me,
mas não me leva até ti!

Onde irei por ti, não sei,
o meu coração arrasta-me,
não quero ir por aí...

Quero ficar com o melhor de ti,
esquecer o passado, seguir o futuro,
agora, sem ti ao meu lado.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012


Uau... mais uma semana que passou a correr, não é que me queixe da semana passar rápido, eu adoro os fins-de-semana, a cena é que eles também passam a correr e não devia ser assim! Esta semana foi super agitada, logo na segunda-feira ao primeiro tempo tive teste de francês e hoje, para a semana acabar em beleza, tive teste de Português. Se querem saber, o tema da composição do teste de português era a comparação entre a Mulher do século XIX e a da actualidade, e depois ainda havia outro tema, mas este foi o que eu escolhi. Nem sequer me pude alongar muito porque o tempo do teste estava a acabar e a composição era de 120 a 160 palavras.
Esta semana recebi algumas propostas de "trabalho", no que toca à divulgação do meu livro pelas escolas e bibliotecas do país e aproveitei também para tratar de alguns assuntos e confirmações que estavam pendentes. Março vai ser um mês "a mil à hora", já tenho muita coisa marcada, mas por enquanto ainda não posso revelar.  Como já se aperceberam, aproveitei também para mudar o visual e a organização do blogue, e pelo que vejo, esta mudança foi benéfica. Continuamos "a chegar" aos quatro cantos do mundo e esta semana tivemos visitas de um novo país, o Chile. 
Hoje levantei-me super cedo porque ontem estava cansada e não consegui acabar de rever a matéria toda para o teste e por isso, às 5h da matina o despertador já soava. 
Quero aproveitar para dizer que também podem ir deixando perguntas e que serão, claramente, respondidas. Além disso, gosto quando me deixam comentários, é bom ler o que pensam e o que me sugerem. A evolução é algo positivo. 
Estou cansada e a minha cabeça está completamente repleta que perguntas a que não sei responder. Gostava de ter a solução para todos os meus enigmas, mas está a tornar-se difícil satisfazer-me, ando com a mania das dúvidas... Quanto à idade do armário, acho que ainda não chegou, pelo menos não sinto que tenha chegado, talvez já tenha vindo e ido sem eu dar conta. Pelo que percebi, costuma ser por volta desta altura. Lol.
A escola está-me a deixar um bocadinho atrofiada, parece que quanto mais estudo, mais me desiludo com as minhas notas, não é que sejam más, mas às vezes dá a sensação que trabalho tanto para nada. Matemática por exemplo, está-se a tornar uma grande complicação e farto-me de estudar. E depois, parece que é tanta coisa ao mesmo tempo, tanta coisas para pensar, para fazer, para organizar que o tempo passa a correr e para não ficar nada por fazer só me resta correr desalmadamente para conseguir fazer tudo... Há ainda aquelas coisas que não consigo exteriorizar e pelos vistos também não estou a conseguir transcrever para aqui, mas sinto a cabeça confusa e pesada, talvez seja cansaço ou sono por me ter levantado tão cedo. Enfim, vou dando notícias, por agora, deixo-vos com este pequeno rescaldo desta semana.
Para a semana, 3.ª feira é dia de teste de F.Q. e na 6.ª feira, teste de Inglês.
Agora vou ouvir um pouco de música e conversar com amigos através das redes sociais e aqui do blogue, depois, quando me chegar o sono, vou dormir. Termina assim uma semana super cansativa, cheia de emoções, dúvidas e muito frio!

Logo à noite haverá nova publicação, desta vez vou continuar a falar-vos de mim num mote, um pouquinho mais privado e assim fazer-vos o rescaldo de mais uma semana que está a terminar.
Passem por cá :)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012



"Uma das grandes diferenças entre a tristeza e a alegria é que a tristeza cria barreiras e a alegria é forte o suficiente para derrubá-las!"


Esta é a frase que marca esta primeira semana de Fevereiro. 
Esta é uma frase minha e fiz dela "frase da semana" porque acho que por vezes não damos conta de como somos suficientemente capazes para ir contra os obstáculos que a vida nos impõem. Temos força para isso, é apenas preciso deixarmos que essa força se revele e para isso é preciso acreditar que é possível, sorrir, ter confiança e acima de tudo muita esperança.
Este é um tema que normalmente me farto de falar porque sou 100% a favor de que as pessoas lutem pela sua felicidade, pelas suas metas e objectivos e que acreditem que são capazes. A tristeza é só mais um obstáculo mas... que seria da vida sem obstáculos?
Por último, dizer apenas que a vida não é uma luta, mas sim um caminho, lutar connosco não é agradável, enquanto que fazer o nosso corpo e a nossa mente caminharem de mãos dadas, é muito mais fácil, desde que estejamos dispostos a arriscar. 
Teremos de aprender a rir de nós próprios e a acreditar que as derrotas servem para fazer de nós pessoas mais fortalecidas e com vontade de agir. 

Início de um novo ciclo

Depois de uma grande transformação, o blogue está com um novo visual, uma maneira agradável de dar as boas vindas a uma nova fase! Depois de (quase) dois anos de existência, e de muitas experiências, o blogue estava a tornar-se muito repetitivo e por isso, a partir de agora além dos típicos textos e poemas vão ser publicados também alguns espaços (em breve poderão saber mais sobre isto).
Para já, podem desfrutar da nova dinâmica do blogue e usufruir dos variados espaços que foram criados. 
Não se esqueçam de votar na sondagem!


terça-feira, 31 de janeiro de 2012



O blogue está diferente... Mais dinâmico, actual e colorido!
Gostam das transformações?
Em breve estará tudo pronto... vão passando por cá :)
Beijinhos,
Ana.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Não esperes que a felicidade venha até ti, corre atrás dela e verás que a terás perto de ti mais rápido.
Lutar é algo muito importante, ter força para enfrentar todos os obstáculos e seguir em frente, mas acreditar também é muito importante, confiar nas nossas capacidades e acreditar que realmente é possível. Esperança de que dias melhores virão e de que a luta não é inglória, o nosso momento chegará.
Se há dias que começam bem e acabam da pior maneira possível, há outros que começam muito mal e acabam de sorriso nos lábios e brilho no olhar.
Arrisque, viva, seja feliz :) ...Não basta sonhar, há que arriscar, de que nos servem grandes planos se não existem pessoas suficientemente capazes para os concretizar?

domingo, 29 de janeiro de 2012

Pensamentos

Às vezes penso que o que penso não é nada mais senão algo desinteressante e complexo. Acho contudo que o mistério dos pensamentos ocultos é uma arma poderosa, tal e qual como a força escondida que todos temos dentro de nós e que julgamos não existir. 
Julgo que há pessoas que nos tomam por ingénuos e que nos sentem  como se fossemos atrás do que nos dizem, mas acho que a ingenuidade pode ter mais do que um significado. Há pessoas que julgam que acreditamos nelas e que não percebemos as suas intenções, no fundo acham que somos ingénuos, mas às vezes apercebemo-mos melhor das coisas do que imaginam. Não digo que sejamos falsos ou fazer os outros achar que vamos na lengalenga deles, chamar-lhe-ia antes, uma maneira de precaver situações desagradáveis.
Quanto aos amigos, ora, amigos há muitos: os que acham que o são, os que se apresentam como tal, os que se fazem passar por isso e os que realmente o são e que por norma são sempre poucos. A falsidade cabe naqueles que não têm noção de que interpretar não é de todo o seu forte e que as outras pessoas não são burras, naqueles que acham que nunca se deixariam enganar por alguém como eles mas que, vulgarmente são enganados também. Se fossemos falar de justiça então... temos sempre aqueles que ao achar que estão a ser justos cometem as maiores injustiças, aqueles que não se preocupam com a justiça e que a fazem consoante os seus desejos, e ainda aqueles que ao querer tanto fazer justiça acabam por perder a sua razão e mostram-se justiceiros sem justiça. Por último temos um grupo pequeno de pessoas que realmente fazem justiça, mas que normalmente têm de batalhar muito para o conseguir. Encontrar a razão, o porquê e uma explicação sólida, nem sempre é das coisas mais fáceis.

São palavras fortes que usamos no nosso dia a dia, mas sobre as quais muitos nunca reflectiram. Muitas vezes, ao julgar que estamos a fazer o mais certo, estamos precisamente a cometer o nosso maior erro. Enfim, tudo faz parte da aprendizagem da VIDA.

sábado, 28 de janeiro de 2012

...

Na estrada onde antes caminhava-mos juntos,
Agora caminho sozinha, de mãos dadas com o tempo,
Passos curtos e melancólicos, de nostalgia,
Estrada longa de alcatrão sumido que outrora foi campo.

Campo de papoilas ou girassóis,
De ervas tenras e verdes trevos,
Campo onde semeei felicidade,
Campo onde frutos colhi e sorrisos deixei.

Caminho agora nesta estrada,
Lembrando o campo onde brinquei,
Aquele campo que a meninice me recorda,
E o cheiro da terra remexida me aviva,
Aquando do florescer das cerejeiras,
Que me adoçam o paladar.

O cabelo voa a par com o vento,
Como num dia chuvoso de Inverno,
A chuva cai-me no rosto e nele desliza,
O corpo regela e pede o quentinho da lareira.

Está na hora de seguir em frente nesta estrada,
Guardar as lembranças daquele campo,
Que me deu vida e me fez rejuvenescer,
Caminhar em passos largos, esperançosa no futuro,
Porque ainda há mais campos para semear,
E quem sabe no caminho me esteja guardada uma surpresa!

Este campo de cultivo onde antes semeei felicidade,
e de onde colhi alguns desgostos, está agora em pousio,
vou partir para outro, com a finalidade de semear felicidade,
e colher nada senão felicidade!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Entrevista para a revista "Livros & Leituras"


alt
Ana Filipa Batista nasceu em Junho de 1998, em Coimbra, onde vive. Frequenta o 8º ano, no Colégio da Imaculada Conceição em Cernache. Despertou para a escrita com apenas onze anos de idade, quando em 2010 se estreou no blogue “Poesia a Brincar” onde publica amiúde textos em prosa e poesia. Diário de Filipa: Peças de um Puzzle, editado pela Lugar da Palavra, é a primeira obra desta auspiciosa autora, que pretende vir a ser médica. [Já alguma vez ouviram dizer que os opostos se atraem? E já alguma vez vos aconteceu "apaixonarem-se" pela pessoa com quem mais discutiram ao longo da vossa vida? Ou por aquele que mostrou ser o vosso maior adversário? Pois, se não vos aconteceu, preparem-se, porque pode acontecer a qualquer momento… e eu que o diga! Estou a ultrapassar umas das fases mais críticas da minha existência, a pré-adolescência! Quando coloquei a hipótese de receber mesada, aquilo que me propuseram foi para lá de somítico: dois euros. Já imaginaram tamanha calamidade? Dois euros!]. Inspirado nos dramas, aventuras e desventuras da pré-adolescência, segundo a crítica, Diário de Filipa: Peças de um Puzzle “é um livro simplesmente arrebatador”.
Livros & Leituras ─ Não é muito comum alguém tão jovem interessar-se por literatura e, principalmente, ter tamanha maturidade naquilo que escreve. No seu entender, a que se deve tudo isso?
Ana Filipa Batista ─ Julgo que o interesse pela literatura surgiu numa fase da escola em que os livros e a leitura eram essenciais. Lendo, descobri um conjunto de novos horizontes e entrei em muitas histórias e universos, uns paralelos ao nosso, outros absolutamente diferentes e desafiantes. As composições escolares exigiam cada vez mais de mim. Achava-me sem imaginação, daí o facto de ter começado a ler tanto. Foi como uma fonte de inspiração. Na sequência disto, e de uma forma muito espontânea, surge um interesse quase súbito pela escrita. Os livros que li, e que continuo a ler, são cruciais para o meu crescimento pessoal e social e também para os meus textos.
L&L ─ Diário de Filipa: Peças de um Puzzle é um testemunho na primeira pessoa de todos os acontecimentos que têm marcado a sua quase adolescência. Foi fácil partilhar estas vivências, muitas delas íntimas e pessoais, com os leitores?
AFB ─ Este livro foi um projecto a longo prazo e em que investi muito de mim. Ver-me, pela primeira vez, a escrever algo no decurso de tanto tempo trouxe-me algumas dúvidas e várias vezes me questionei sobre o resultado que “aquilo” teria. A Filipa, personagem principal do livro, é uma pré-adolescente de 12 anos que fala abertamente de alguns dos seus receios, das suas dúvidas e que dá a conhecer, ao longo de aproximadamente seis meses, todo um quotidiano muito variado, abordando assim diversificadíssimos temas, uns mais comuns do que outros. Enquanto escrevia, relembrei muito da minha infância (ainda fresca) e muitas peripécias de quando era pequena. A Filipa resulta de uma fusão de várias vidas e pessoas numa só. Acaba por ser o produto da minha vida e de quem me é próximo e, através dela, vou falando sobre temas que julgo serem muito comuns nesta idade, não só para as meninas, mas para os adolescentes no geral. Partilhar tudo isso com o leitor foi uma sensação óptima, é bom partilhar experiências, conhecimentos, dúvidas e até medos… em parte, ajuda-nos a lidar com eles.
L&L ─ Acha que o sucesso do seu livro se deve aos jovens que se identificam consigo e com as situações que vai vivendo no dia-a-dia ou, paradoxalmente, aos pais que o lêem para melhor entender os dramas dos próprios filhos?
AFB ─ Para ser sincera, acho que este é um livro que se adapta muito bem a todas as faixas etárias, para os mais novos transmite uma ideia de partilha, de emoções e de compreensão do que eventualmente possam estar a sentir nesta fase das suas vidas. Para os adultos acaba por ser bom para relembrarem alguns aspectos da sua meninice. Não funciona como um manual de instruções para os pais, porque cada um tem a sua forma de amar e de educar, contudo, tem também o intuito de os ajudar a entender alguns dos actos, questões e dificuldades dos filhos. Pelo que tenho visto e ouvido, sei de muita gente que já leu o livro e se identificou com a Filipa e gostou de a conhecer e isso é muito gratificante para mim.
L&L ─ Quando se edita pela primeira vez, existem muitos sonhos e criam-se inúmeras expectativas. Crê que foram alcançadas?
AFB ─ Editar pela primeira vez não é nada fácil, principalmente para mim, que estou na fase das incertezas e da insegurança. O mais difícil foi a procura de uma editora que eu achasse que era capaz de fazer um bom trabalho com o meu projecto e que simultaneamente aceitasse trabalhar comigo. Tive algumas propostas, umas melhores do que outras, mas quando finalmente me decidi, foi um sentimento de desejo concretizado. As minhas metas não estavam muito elevadas, estava ansiosa por ter o feedback dos leitores e por saber como iria ser a reacção dos que me são próximos. O maior sonho era que o livro fosse bem aceite e que todas as experiências que ele me trouxesse me fizessem evoluir e aprender mais. Esses sonhos e metas foram, sem dúvida, alcançados e creio que sendo alguém totalmente desconhecido das pessoas, o livro foi muito bem aceite.
L&L ─ Tem tido a atenção dos jornais e esteve presente em vários programas de televisão. Para conquistar os leitores é importante ser uma boa comunicadora?
AFB ─ Sim, sem dúvida. A maior parte dos leitores é influenciado pelo que ouve dizer ou pelo que nós damos a conhecer através dos meios de comunicação. Gosto de comunicar e de ser simpática para as pessoas. Acho que é importante darmo-nos a conhecer, bem como à obra, porque só assim podemos despertar a curiosidade de alguém para depois ir até a uma livraria, comprar o livro e lê-lo. É todo um processo que, caso o leitor não esteja mesmo entusiasmado, pode não resultar. Despertar o interesse de alguém, ter o dom de surpreender as pessoas com palavras e saber aplicar os termos e as expressões certas nas alturas convenientes é deveras importante.
L&L ─ Que ensinamentos retirou dessas experiências?
AFB ─ Estaria a mentir se dissesse que todo este encadeamento de experiencias foi algo banal na minha vida. Aprendi muito com tudo isto, principalmente a nível psicológico, a saber gerir melhor certos factos e a encarar as coisas com calma e a devida importância. Iniciou-se um novo ciclo, senti que este projecto me enriqueceu bastante e, além disso, me fez chegar a pessoas espectaculares que, de outra forma, jamais teria oportunidade de conhecer. Percebi também que a confiança em nós próprios é fundamental para se desenvolver um bom trabalho e que apesar de todos os sacrifícios, valeu a pena lutar. Hoje é um privilégio ver o meu livro espalhado pelas diversas livrarias nacionais e saber que muita gente já teve oportunidade de o ler. Foi sem dúvida um dos acontecimentos mais marcantes e gratificantes da minha vida e que vai ficar gravado para sempre.
L&L ─ Para além de prosa, escreve poesia. Que significado tem para si a poesia e em que momentos se sente mais predisposta a escrevê-la?
AFB ─ Quando comecei a escrever, foi precisamente poesia. A poesia é, mais do que tudo, uma forma sublime de expressar sentimentos e, por vezes, um óptimo desabafo. Há dias em que me sinto especialmente inspirada para escrever poesia, há outros em que as ideias não estão tão organizadas e nesses dias prefiro abster-me da poesia. No entanto, a poesia é algo importante para mim e que gosto de partilhar com os outros, principalmente através do meu blogue “Poesia a Brincar”, visitado por pessoas de mais de 23 países (como é o caso, entre outros, do Brasil, Estados Unidos da América, Bélgica, Suíça, Holanda e, claro, Portugal). É algo que me deixa muito orgulhosa de mim e do trabalho que tenho vindo a desenvolver nesta área.
L&L ─ Quais os escritores que mais admira?
AFB ─ Sou uma leitora bastante diversificada e gosto de ler novos escritores. Quanto a escritores portugueses, leio muitos, mas aquela que mais me fascina é Maria Teresa Maia Gonzalez, que já tive oportunidade de conhecer pessoalmente. A nível internacional, são muitos os escritores que despertam os meus elogios: Lesley Pearse, Nora Roberts, Patrick Rothfuss e Daniel Glattauer.
L&L ─ Ambiciona cursar medicina. Seguirá, portanto, uma carreira ligada às ciências. O que estimula a sua veia literária, já que é uma área mais associada às artes e à subjectividade?
AFB ─ O que mais me estimula para a literatura é o gosto pelas letras, o impacto que uma simples palavra pode ter numa história ou num poema. É algo mágico que eu gosto de sentir. Jamais seria capaz de me dedicar por inteiro à escrita, apesar de ainda ser muito nova, sei que não teria capacidade para fazer da escrita a minha profissão. A medicina é outra área com a qual me identifico bastante, talvez pelo gosto de cuidar das pessoas o melhor que sei e de saber que lhes posso ser útil. Contudo, não ponho de parte a literatura nem a comunicação que são duas áreas que eu adoro explorar e vivenciar.
L&L ─ Fale-nos dos projectos que tem para novos livros.
AFB ─ Neste momento é-me complicado falar de planos para o futuro, porque estou empenhada especialmente com a escola. No entanto, já iniciei um novo projecto, chama-se Onde está o amor? e é um romance. Pretende, acima de tudo, desafiar a imaginação do leitor e despertar-lhe sentimentos. Por último, provar que todos temos amor para dar e todos precisamos de o receber, mas que, por vezes, a vida leva-nos por caminhos ocultos e torna-nos pessoas frias. A história vai-se formando pouco a pouco, apesar de ter uma ideia base, as personagens vão surgindo, estou a deixar as ideias fluírem. Este é um projecto a longo prazo, neste momento quero dedicar-me a 100% à escola, aos amigos, à família e ao primeiro livro. Deixar de escrever não está, de todo, nos meus planos.
L&L ─ Que sugestões daria a um futuro escritor?
AFB ─ Ainda não me vejo como uma escritora, sou principiante nesta área. Porém, aconselho a todos, quer queiram ser escritores, médicos ou qualquer outra coisa, que persistam e que lutem pelos seus sonhos, que não desistam de alcançar as suas metas, que, no fundo, não desistam da felicidade. Nesta área em concreto, ler é fundamental e depois escrever, desafiar o destino e tentar sempre chegar mais longe no horizonte porque o horizonte não é um fim, mas sim um infinito, uma continuação. Ter a coragem de arriscar e confiança em si próprio é imprescindível. De grandes obstáculos se constroem grandes pessoas… a escrita é isso mesmo, viver o fácil, o difícil, o possível e o imaginário, mas primeiro que tudo, ser feliz.