terça-feira, 2 de agosto de 2011

(Des) Ilusão

·         Vivi tempos perdida na ilusão,
quis esquecer que te conhecia,
quis ignorar meu coração,
deitar fora as recordações daquele dia,
daquele dia em que te conheci,
daquele dia a partir do qual não mais vivi.
Quis deitar fora minha alma,
substituir meu coração,
atirar-me à tristeza,
morrer em solidão.
Silenciar o meu pensamento,
acalmar toda esta agitação,
fugir para longe,
apagar a recordação.
Já não quero estar mais aqui,
quero sair, quero-me libertar,
quero viver para lá do horizonte,
quero morrer, quero sonhar,
quero ir e não voltar,
sair sem deixar rasto,
apagar as marcas,
deste passado tão madrasto.
·          
·         (Hoje estou feliz! Sei que o passado acabou, convenci-me de uma vez que tenho de o deixar ir, por muito que custe, por muitas lágrimas que possam cair agora, vale a pena deixá-lo ir. Novas experiências virão, coisas novas surgirão na minha vida. Serei feliz tanto ao ainda mais do que fui. As desilusões fazem parte da vida. Custa enquanto as vivemos, mas ó menos aprendemos com elas, além disso, elas fortalecem-nos e mostram-nos como afinal somos mais fortes do que pensamos... és passado, um passado feliz enquanto durou, um obstáculo duro de ultrapassar, mas uma meta que já alcancei, agora sou feliz e sei que irei continuar a sê-lo, porque a vida é mais... mais do que tristeza e lágrimas, ás vezes até mais do que amor, quando o amor nos faz perder anos de vida.)

domingo, 31 de julho de 2011

Um sonho sonhado...

Sonhei uma noite, um sonho enfeitiçado,
parei as águas que no meu sonho corriam,
sussurrei ao vento um segredo encantado,
quimera de penas brancas e sorriso alegado.

Meu sonho esbateu em água cristalina,
o que já não posso mais ocultar,
a paixão febril que o meu coração domina,
um sonho agitado como barco em alto mar.


Os pássaros da madrugada,
perderam a vontade de cantar,
magia suave de um olhar,
luar mortífero, sem pressa de terminar.

Ondas de memórias sãs,
recordações empoeiradas,
livro de poções vãs,
mil e uma horas passadas.

Neste sonho sonhado,
pensei sorrindo,
que nas nuvens estava dormindo,
e que os teus braços tinhas alçado,
para que me pudesse debruçar,
e sobre ti dormitar...

Este sonho conduziu-me ao espaço,
bailámos por momentos sobre o céu,
em jeito de brincadeira sussurrei,
deixei cair o esplendor do véu,
que um dia à Igreja levei.

Voltas e voltas, girando docemente,
tu me abraças cada vez mais, e mais...
Sinto a tua voz rouca, o teu hálito quente,
os gestos doces que não quero largar, jamais...

Carícias sublimes, como só tu me sabes dar,
selas-me a boca com um beijo salgado,
e o olhar, como uma trama difícil de largar,
um momento doce, tão quente como molhado.

Sei em fim, que nada disto é verdade,
mas, quem sabe, se sonhar outra vez,
este sonho tão mágico e divino,
ele um dia se torne realidade...

sábado, 30 de julho de 2011

Sou...

Sou mais um ser que habita este mundo,
Mais uma levada pela desilusão,
Um ser de luas e marés,
Arrumada algures na ignorância.

Lutei tanto para ser alguém,
Procurei a razão,
Quis conquistar o meu mundo,
Acabei perdida na imensidão.

Esmoreci aos poucos,
Fui-me deixando cair,
O sorriso perdeu-se pró vazio,
Que teima em me perseguir.

Preciso de algo que me renove,
Que me traga de volta o meu ser,
Que me ajude a levantar,
Que me ajude a esquecer,
Mágoas passadas,
Feridas abertas,
Desilusões enlevadas,
Memórias descobertas.

Vazio intenso, em mim,
Pétala que reluz, flor de jasmim,
Vela acesa na escuridão,
Trevas de horror e solidão…

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Volta...

Agora, tudo acabou,
depois de tanto esperar,
depois de dias de esperança,
depois de meses de angústia,
depois de tantas lágrimas derramadas,
depois de tanto sofrer.
Percebi, finalmente a realidade,
a realidade nua e crua.
Aquela que em mim causou ferida,
que escondeu o meu sorriso,
que corroeu o meu coração,
que chamou pelas minhas lágrimas.
Realidade estúpida e inútil,
arrebatadora e desgastante.
Realidade de sofrimento e dor,
sôfrega e sublime.
E agora? Que serei eu sem ti?
Meu coração palpita por te ver,
os meus ouvidos esperam ouvir a tua voz,
os meus olhos sofrem pelo brilho que tu lhes levaste,
a minha alma chama por ti,
já gritei, já chorei, já berrei com todas as minhas forças.
Chamei por ti, pedi-te que voltasses,
preciso de ti, preciso de uma última oportunidade.
Volta, não me deixes aqui sozinha,
tenho medo, medo da escuridão deste poço,
medo do vazio que está dentro de mim,
medo desta realidade mortal,
medo desta vida que tanto me tem feito sofrer,
medo de acordar noutro mundo,
assim, sem mais nem menos,
tenho medo de não ser forte o suficiente para suportar isto,
tenho medo... do dia, da noite, do sol e do luar,
tenho medo, até de mim mesma.



terça-feira, 26 de julho de 2011

Amanhã ...

Amanhã é o Sol quem ditará,
aurora de róseo fulgor ,
pássaro voador, sobrevoará,
leve sombra de uma rosa em flor.

Amanhã é a saudade que fica,
de um amor, de um momento,
um lume aceso que crepita,
o passado e um sentimento.

Amanhã é o vendaval,
vida dos ventos caiada,
dor superficial ,
mil direcções e um madrigal.

Amanhã é a chuva que corrói,
a água que escorre o leito,
moinho aceso que mói,
um milho mais-que-perfeito.

Amanhã é a Lua que muda,
de nova para minguante,
o anzol que o pescador lança,
com o poder do almirante.

Amanhã são acasos da sorte,
o queixume, o amor,
o triunfo de uma vida,
ou o baço palor da morte.

Amanhã é a folha que cai,
desprende-se de ternura,
são rouxinóis calados, pássaros afogados,
bosque sem Sol, árvores sem cor.

Amanhã é dia 27,
mais um dia de uma vida,
o Sol queima nato,
os jardins da avenida.

Amanhã vou sonhar,
com o príncipe encantado,
que me vai levar a voar,
por mil vales, enlevado.

Amanhã vou sorrir,
amanhã vou ganhar,
vou cantar, ser feliz,
amanhã vou viver, só para te amar!

Amanhã Deus será somente o Senhor,
que me rege e ilumina,
mostrará todo o seu esplendor,
Quando o Sol romper pela cortina.

Amanhã é mais do que um momento,
é um dia especial, um dia exclusivo,
um dia de verdade e acontecimento,
um dia belo, mas, decisivo!


               O Amanhã será um amanhã, em tudo mais belo do que o Hoje! 

domingo, 24 de julho de 2011

Lembranças...

Conjuguei-te no pretérito,
e agora apenas habitas minhas lembranças...
Quantas vezes achei necessário
destruir os meus arquivos,
jogar as lembranças pela janela,
deixá-las ir tempo fora,
como plumas jogadas ao vento...

Conjugar-te no presente,
foi algo intenso, dócil,
ternura expressa em mim.
Mas, agora resta-me,
nos momentos solitários
e desesperança,
abrir aquela gaveta,
apaziguar o meu coração.

Na sublimidade da poeira,
dos grandes momentos,
daqueles que passámos os dois,
e em que eu bailava nos teus braços,
por entre juras,
doces loucuras,
poções enlevadas,
ouvindo o sussurrar de uma quimera encantada...

Apenas memórias vagas,
soltas dos galhos,
entorpecidas pelo tempo,
arquivadas num sotão,
resguardadas de teias,
de maus presságios,
de escuridão.

São ainda memórias vivas
na minha jovem memória
e me reabastecem
quando estou triste...

Miro-as de quando em quando,
provas de que na escola da vida,
as coisas sofrem transformações,
são muitos os sentimentos que nos abrangem,
com os quais teremos de aprender a viver,
a ilusão, o amor,
o desgosto ou o sofrimento...

Não sei de tudo,
ainda muito me falta saber,
na realidade,
ainda não sei de nada!

sábado, 23 de julho de 2011

Sou aquela...

Sei de mim, tanto como tão pouco,
Sei de mim, como alguém que vive,
Sei de mim, como o inconstante,
Sei de mim, como do nada sei…

Sou aquela, a tal especial,
De quem todos falam,
Mas, que tão poucos conhecem,
Sou EU!

Sou especial à minha maneira,
Na minha forma de viver,
Na minha facilidade em sorrir,
No escuro que para mim, é luz…

Sou aquela que,
Transforma as palavras em sonhos,
E sonha com as palavras!
 
A menina que tem sonhos,
Ilusões, que sofre, que vive,
Um momento de cada vez,
Na intensidade brilhante de um sorriso.

Sou aquela da qual falam,
Da qual especulam,
Da qual duvidam,
Da qual nunca sabem o que esperar,
Aquela que está sempre aqui, disponível!

Sou aquela que luta,
Que encara o presente,
Que vive com a cabeça e o coração,
Sou aquela que olha a lua e encontra o luar…

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Rumo à felicidade :)

Um dia arrisquei dizer-lhe
que o amava,
lembro-me como se fosse hoje,
das palavras doces que sussurrei,
aos seus ouvidos.
Deixei o coração falar por mim,
ele mirou-o num só olhar,
suspirou uma só vez,
seguiu em seu encalço,
alcansou-o e disse-lhe:
- Hey, espera,
não te vás embora,
eu AMO-TE.
Ele virou-se para mim,
com um olhar estilhaçado,
e uma lágrima no canto do olho,
prestes, prestes a cair.
Correu para mim,
abraçou-me,
cruzou o seu olhar no meu,
e disse, carinhosamente:
- Tenho de ir,
não é aqui o meu lugar,
não é aqui que eu pertenço.
Olhei-o intensamente,
as lágrimas caiam
e desperçavam no meu rosto,
o meu coração batia velozmente,
descontrolado, magoado,
com vontade de gritar.
Ele mirou-me uma vez mais
e disse, sorridente:
- Vem comigo, fazer-te-ei feliz!
As lágrimas congelaram,
os meus olhos brilharam,
o meu coração sorriu,
pulei de alegria,
disse-lhe:
- Então, vamos?! Estou pronta!!
Ele esboçou um sorriso,
pegou na minha mão,
olhou em frente,
e guiou-me, rumo à felicidade.



terça-feira, 19 de julho de 2011

Sinto-me...

Continuo perdida, envolvida num misto alegre e triste, como que uma mistura agri-doce, que eu não sei explicar... Leio palavras escritas e cito versos soltos tentando encontrar explicação para aquilo que estou a viver. Talvez nunca a encontre, talvez esteja em busca do oculto, talvez esteja à procura no sítio errado, ou talvez até, nada se passe e tudo seja fruto de uma alucinação permanente que me visita e persegue a toda a hora.
Queria poder abstrair-me de tudo, dos pequenos problemas que surgem de quando em quando, dos tantos obstáculos que se cruzam no meu caminho, queria poder esquecer-te, mas, insistes em ficar, em continuar a causar ferida, uma ferida profunda que eu quero sarar, mas que tu teimas em abrir!
As lágrimas caem do rosto submersas em angústia, sinto-me inútil, hipotética, injustiçada, sem forças... sinto que assim já não faz sentido, não vale a pena continuar a remar se o vento me deita abaixo de cada vez que tento pôr o barco em movimento... é hipócrita, egoísta, mas, sinto-me assim!
Não sei como será o amanhã, apenas sei que o hoje é intenso e que as palavras escritas são pedaços de mim, apenas confidenciados a alguém muito especial!